
Natália Cirelli
Colunista do Cineskópio
Persépolis, nome da antiga capital do Império Persa também é nome dos quadrinhos auto-biográfico de Marjane Satrapi. Inspirado nesses quadrinhos (lançados na França entre 2000 e 2003), surge o filme Persépolis, que estreou no Brasil na semana passada.
A história narra alguns anos da vida de Marjane: nascida no Irã na época da Revolução Islâmica, a garota sonha em ser profetisa do futuro, para um dia poder salvar o mundo. Durante a infância/começo de adolescência, a garota acompanha atentamente os acontecimentos políticos de seu país, como a queda do xá e de seu regime. Conseqüentemente, inicia-se a nova República Islâmica, com um total controle sob as pessoas, definindo como que as pessoas devem agir, pensar e se vestir.
Nessa época, Marjane conhece o idealismo punk e também bandas como Bee Gees, Abba e Iron Maiden. Sempre ousada, e começando a causar problemas, seus pais decidem mandá-la para a Áustria aos 14 anos.
Adolescente
e sozinha em um pais desconhecido, Marjane faz amigos, freqüenta lugares então
nunca vistos antes, e se livra da sensação de exílio e solidão que sentia no
Irã. Contudo, a liberdade tem seu preço, e a garota enfrenta alguns problemas
no país.
A animação segue em preto e branco durante o filme todo, exceto no começo e final – o que dá uma certa sensação de angústia e um ar sombrio perante alguns acontecimentos que marcam o filme.
Até que ponto é possível defender seus ideais sem usar armas ou apelos religiosos? É melhor viver sozinha com liberdade, ou com sua família, porém abrindo mão de sua liberdade de expressão?
Assistam, e conheça um pouco mais dessa simpática revolucionária Marjane Satrapi.
Curiosidades:
Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme de Animação.
Sean Penn, Gena Rowlands e Iggy Pop dublaram personagens na versão americana do filme.
O governo do Irã enviou uma carta à embaixada da França em Teerã protestando contra Persépolis, pedindo para que retirassem o filme de festivais.